ENEM 2021, PRESSÃO IDEOLÓGICA

Servidores do Inep denunciam pressão ideológica no processo de formulação da prova

Situações de pressão velada e medo de desagradar ao governo foram relatadas a deputados da Frente Parlamentar de Educação. Dois demissionários ouvidos pelo g1 corroboram alegações.

Servidores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) afirmam que sofreram pressão psicológica e vigilância velada na formulação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2021, para que evitassem escolher questões polêmicas que eventualmente incomodariam o governo Bolsonaro.

Eles não detalharam quais perguntas foram excluídas da avaliação deste ano, alegando que todas as informações acerca do Banco Nacional de Itens (o acervo de onde são tirados os conteúdos para o Enem) são sigilosas.

As queixas foram relatadas a deputados da Frente Parlamentar de Educação, que pretende colocar em votação na semana que vem na Comissão de Educação da Câmara um pedido de audiência pública para detalhamento dos fatos.

Na quarta-feira (10), um dos membros, o professor Israel Batista (PV-DF), protocolou uma denúncia contra o presidente Dupas na Comissão de Ética Pública da Presidência da República.

O documento cita que foram reportados pelos funcionários da autarquia: “censura ideológica nos itens da prova do Enem” e “sérios indícios de (…) critérios político-ideológicos, mediante proibição de determinados temas e pautas”.

Não há detalhes de quais seriam esses indícios.
Ao g1, dois demissionários (dos 37 que pediram a exoneração de suas funções no Inep nos últimos dias) confirmaram que havia um clima de intimidação e de medo na montagem da avaliação. Em condição de anonimato, um deles afirma:

“Alguns temas ficaram de fora porque desagradariam ao presidente – em uma lógica que a gente desconhece, em critérios que a gente desconhece. Nunca falaram esses critérios. É tudo velado.”

No Enem 2020, a pergunta que comparava os salários dos jogadores de futebol Neymar e Marta, por exemplo, foi criticada pelo presidente Bolsonaro, mas não era considerada “polêmica” nos bastidores.


G1 GLOBO

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VALMIR ARAÚJO