Que leite condensado nada! No governo Flávio Dino, Secretaria de Saúde tem cardápio gourmet em plena pandemia, com salmão, bacalhau, queijos finos, tortas, trufas de chocolate, coquetéis de frutas e outras iguarias

Daniel Matos

Quem diria! Critico ferrenho do gasto milionário do Governo Federal com leite condensado, motivo de recente estardalhaço na mídia nacional e nas redes sociais, o governador Flávio Dino (PCdoB) protagoniza – e “patrocina” -, semanas depois, uma farra gastronômica em sua gestão, regada a canapés de salmão, bacalhau, camarão, tomates secos, coqueteis de frutas decorados, queijos finos variados, bombons e trufas de chocolate e muitas outras iguarias de alto requinte e custo elevado.

E, pasmem, a pasta que financia a comilança é a Secretaria de Estado da Saúde (SES), que assinou contrato, via Pregão Eletrônico n° 21/2020, no valor de R$ 1.128.900,00 (um milhão, cento e vinte e oito mil e novecentos reais), em agosto de 2020, em plena pandemia do novo coronavírus. A empresa beneficiária é a Vitória Serviços Gerais e Empreendimentos LTDA., que teve sua ata de registro de preços cadastrada no certame para prestar serviços de planejamento, organização, coordenação, execução e acompanhamento de eventos para atender as necessidades da SES, incluindo a prestação de serviços de alimentação, material de decoração e infraestrutura, serviços e recursos humanos e recursos audiovisuais, com vigência de 12 meses, a contar da publicação no Diário Oficial do Estado, feita na edição de 7 de agosto de 2020 (aba Terceiros).

Dividido entre brunch, coquetel, refeição, coffee-break, quentinhas, kit lanche e junk food, o serviço de buffet inclui também crepes, tábuas de frios variados, quatro tipos de tortas, dois tipos de mousses, quiches, salpicão, massas com dois tipos de molho, pratos quentes à base de mariscos. O contrato prevê, ainda, que sejam servidos até 15 tipos de salgados assados, dentre elas canapés, folhados, “voul ao vent”, “tarteletes”, além de três tipos de mini empratados e queijos finos variados. Também serão fornecidas bebidas, como água mineral (com ou sem gás) sucos de frutas, refrigerantes (normal e light ou zero), café, chás diversos, leite, chocolate, etc.

E a lista não para por aí. Tapioca com recheio de carne de sol, patês diversos, sonho de doce de leite, pudim de leite, rocambole salgado, queijo branco, queijo gorgonzola, fusilli, lasanha, ravioli, croissant, quibe de forno, pão de queijo, torrada de pão sírio, pavê, sorvete, doces em compotas variados, rissole de palmito ou presunto e queijo, sanduíche de peito de peru defumado e até pizza, cachorro quente, pipoca, batata frita e algodão doce.

Decoração

O contrato milionário prevê, ainda, o fornecimento de decoração para os eventos promovidos pela SES Entre os itens que deverão ser disponibilizados estão arranjo de flores para plenária, arranjo de flores para coluna, coroas de flores (fúnebre), toalhas de mesa, decoração em balão e itens como iluminação especial com refletores coloridos, raia de luz, estrobo, gelo seco e luz negra.

Reiterando. O gasto descrito acima foi autorizado pela Secretaria de Estado da Saúde, com assinatura do próprio secretário Carlos Lula, em plena pandemia da Covid-19, período em que é recomendado o distanciamento social, de modo a evitar aglomerações, que favorecem a transmissão do novo coronavírus. A propósito, o próprio governo estadual baixou sucessivos proibindo eventos e até um lockdown foi determinado na região metropolitana de São Luís, o que causa estranheza quanto a intenção de celebrar o contrato justamente com o propósito de realizar eventos.

Outro fato intrigante: a despesa ocorreu poucos meses antes de o governador Flávio Dino ajuizar ação no Supremo Tribunal Federal (STF) com o intuito de obrigar o Governo Federal a habilitar mais leitos de internação para pacientes com sintomas graves da infecção pelo novo coronavírus no Maranhão.

Abaixo, os detalhes do pregão eletrônico:

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VALMIR ARAÚJO