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‘O STF é um tribunal que julga muito e acaba sempre desagradando alguém’, diz ex-ministro Luis Barroso

Na visão do ex-ministro Luis Roberto Barroso, o Supremo Tribunal Federal (STF) sempre vai desagradar alguém — por julgar muitos casos, que muitas vezes opõem setores importantes da sociedade brasileira.

“Ou você desagrada as comunidades indígenas, ou você desagrada o agronegócio em algumas decisões. Ou você desagrada os evangélicos, ou você desagrada as feministas em outras matérias. Ou você desagrada o governo, ou você desagrada o contribuinte em questões tributárias”, diz Barroso em entrevista à BBC News Brasil.

“O Supremo acaba decidindo quase tudo. Isso o torna, de certa forma, um alvo da política”, afirma o ex-ministro do STF, que esteve em Oxford, no Reino Unido, para a 11ª edição do Brazil Forum UK, evento organizado por brasileiros que estudam em universidades britânicas.

Antes de iniciar a entrevista, Barroso disse que não faria nenhum comentário sobre as investigações de fraudes do Banco Master — caso que reacendeu o debate sobre potenciais conflitos de interesse de ministros do Supremo e seus familiares com empresas privadas.

“Isso ainda está sendo investigado, e acho que não é hora de julgar. Não sou dado a pré-julgamentos”, justifica ele.

Mesmo assim, Barroso acredita que a criação de um código de conduta para os membros da mais alta corte do país “é uma discussão importante”, apesar da falta de consenso entre os ministros sobre o assunto.

Na visão dele, reformas do tipo devem acontecer “de dentro para fora”, porque o “STF não gosta muito de interferências externas”.

Questionado por que ele não propôs a criação de um código de conduta enquanto esteve à frente do STF, ele argumenta que fugiu das “bolas divididas” no período em que ocupou a presidência do STF.

BBC NEW BRASIL

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