Às vezes, eu olho ao redor e me pergunto em que momento as coisas se inverteram. Quando foi que a honestidade passou a ser motivo de zombaria, e a malandragem começou a ser admirada? Quando ser simples virou sinônimo de fraqueza, e enganar os outros se tornou sinal de esperteza?
Na minha terra, quem fala a verdade é chamado de grosso. Quem tem princípios é visto como antiquado.
Parece que o mundo anda de cabeça pra baixo — e quem tenta se manter de pé, tropeça. O mais triste é ver gente boa desistindo de ser boa, cansada de nadar contra a corrente. É difícil continuar acreditando no certo quando o certo não traz recompensa, quando ser justo não garante respeito, e quando o caráter já não tem tanto valor.
Mas ainda assim, eu prefiro continuar sendo “errado” aos olhos dos outros — se isso significar permanecer fiel ao que acredito.
Porque o tempo passa, as modas mudam, e as máscaras caem. E no fim das contas, o certo sempre encontra seu caminho de volta.