Literatura, cinema e ativismo digital indígena são os destaques de abril no CCVM

Começa na próxima quarta-feira (10), no Centro Cultural Vale Maranhão (CCVM), a programação Indígenas.BR, reunindo a produção indígena contemporânea  nas áreas de literatura, cinema e ativismo digital.  Foram convidados criadores importantes dessas áreas, que vêm ganhando destaque no cenário nacional e internacional.

A programação acontece de 10 a 13/04 e nos dias 23, 26 e 27/04 e inclui  palestras, contação de histórias, projeções de filmes premiados, bate-papo e troca de experiências.

A diretora do CCVM e curadora do Indígenas.BR, Paula Porta, destaca que a programação visa dar visibilidade à vasta produção cultural indígena brasileira, tão pouco divulgada. “A literatura e a produção audiovisual vêm ganhando peso em número de criadores e, principalmente, em qualidade, despertando crescente interesse e recebendo prêmios. Em paralelo à produção cultural, as mídias digitais vêm sendo cada vez mais utilizadas em diferentes estratégias de agregação, de divulgação de suas culturas e de suaspautas de luta. Rádios, youtube, plataformas próprias de notícias têm espalhado novos discursos e novas vozes chamam atenção. Abrimos a programação do CCVM para apresentar uma mostra dessa produção, recebendo criadores e comunicadores importantes, que fazem diferença com seu trabalho e levam-nos a pensar o quanto temos perdido em não conhecer melhor centenas de povos que dividem conosco a Terra Brasilis”, observa.

Literatura

Na quarta (10), às 19h, acontece a Conversa Aberta: escritores, com Kaká Werá, Eliane Potiguara e Denízia Kariri-Xocó. Os autores também realizarão Contação de Histórias, atividade imperdível para crianças e público de todas as idades.

Kaká Werá, fundador do Instituto Arapoty, psicoterapeuta e antropólogo cultural, especializado em cultura tupi, apresenta na quarta, às 15h, a história O Menino Trovão, do seu livro As Fabulosas Fábulas de Iauaretê. Na quinta (11), às 10h, é a vez de Eliane Potiguara, poeta, ativista, professora, empreendedora social, trazer para o público duas de suas histórias: O Pássaro Encantado e A Cura da Terra. Na sexta (12), às 15h, Denízia Kariri-Xocó contará Kamurin e as Brincadeiras Indígenas, que está no livro Kariri Xocó – Contos Indígenas, de sua autoria. Denizia é professora, escritora, bacharel em Direito, especialista em desenvolvimento infanto-juvenil e mestranda na Universidade Estadual da Bahia (UNEB). “Será um momento de bastante interatividade, temos um aplicativo que usamos também durante a apresentação, além da musicalidade. A escrita é uma forma que temos de contar a nossa história de forma descolonizadora, de sermos protagonistas da nossa própria história, para que se conheça a verdadeira história do Brasil”, observa Denízia.

Audiovisual

Nos dias12 e 13 e 26 e 27acontecem as mostras de filmes, que serão seguidas de bate-papo com os cineastas.

Dia 12, às 19h, a Mostra Alberto Álvares (Guarani Nhandeva /MS) apresenta dois curtas que retratam a infância e adolescência de seu povo e o longa metragem Guardiões da Memória, um retrato etnográficodo cotidiano de cinco aldeias da etnia Guarani no Rio de Janeiro, revelando os rituais, rezas, a espititualidade e as tradições que circulam entre eles. Albertotambém é fotógrafo, trabalha no Laboratório do Filme Etnográfico, da Universidade Federal Fluminense (UFF) e no Observatório da Educação Escolar Indígena da UFMG, onde está concluindo a Licenciatura Intercultural para Educadores Indígenas.

O cineasta Alberto Álvares, que tem participado de diversos festivais internacionais destaca a importância da troca com o público e com os indígenas de outros povos: “Estou muito feliz com o convite. É um momento de troca de conhecimentos, de apresentar as belas imagens e palavras dos Guaranis. Vou poder conhecer nossos parentes aí no Maranhão. Vai ser muito rico este encontro. Convido a todos a conhecer a nossa produção! Como fazemos a caminhada entre esses dois mundos, o indígena e o não indígena. Por que a gente sai da aldeia, mas leva nossas histórias, nosso modo de viver, e ao mesmo tempo se adapta também ao modo não indígena”.

No dia 13 (sábado), às 19h, será a vez da Mostra Kamikia Kisêdjê (Xingu/ MT), com os filmes Txêjkhô khâm mby. Mulheres Guerreiras (2011), Amtô. A Festa do Rato (2010), Amne Adji Papere Mba. Carta do Povo Kisêdjê para o RIO+20 (2012), Kîsêdjê ro sujareni. Os Kisêdjê contam a sua história (2011)

Khátpy Ro Sujareni. A história do monstro Khátpy (2009).

O cineasta iniciou no audiovisual pelo projeto Vídeo nas Aldeias, atua na formação de novos cineastas em aldeias de várias regiões. É diretor da Associação Indígena Kisedje (AIK), na Terra Indígena Wawi (Alto Xingu. Registrou, como repórter, eventos importantes como a cobertura da Rio+20 (2012) e acompanhou o Cacique Raoni na 21ª Conferência do Clima, realizada em Paris, em 2015. Foi premiado em festivais com os filmes Txeijkhô khãm Mby (2007); Mulheres Guerreiras (2010) e o vídeo-manifesto Carta do Povo Kisedje (realizado para a Rio+20).

Dia 26, às 19h, será exibida a Mostra Priscila Tapajowara (PA) com produções de video e o curta Encantados dos Tapajós, que fala sobre 13 povos indígenas do Baixo Tapajós e sua espiritualidade na qual encontram forças para lutar pela região em que vivem.  Priscila atua no cinema e na fotografia, é Técnica em Produção Audiovisual pela Faculdade Paulus de Comunicação. Assina a fotografia dos films A Primavera Guarani (2017) e da série Sou Moderno, Sou Índio do Cine Brasil TV, ambos com direção de Carlos Eduardo Magalhães (2019), para a qual assina também a direção de alguns episódios.

No dia 27(sábado) será apresentada uma retrospectiva dos princpais filmes da Mostra, das 17 às 19h.

Iniciativas Digitais

Dia 23, às 19h, acontece a Conversa Aberta: Iniciativas Digitais reunindo Erisvan Bone Guajajara (MA) e Priscila Tapajowara (PA), da Mídia Índia; Maria Helena Gavião (MA) e Bruno Krikati (MA), do Coisa de Índio; Anápuáka Tupinanbá (RJ), da Rádio Yandê e Cristian Wari’u (MT), youtuber. Os convidados irão apresentar suas iniciativas de comunicação e ativismo digital. Crstian Wari’u, criador do Canal Wariu, que tem mais de 20 mil seguidores e discute temas como “ser indígena no Século XXI e colaborar para a diminuição do preconceito étnico cultural”, conta que a ideia de criar o Canal era antiga, mas somente em 2017 conseguiu colocá-la prática. “Somos mais de 300 etnias, falamos mais de 270 línguas e somos quase 1 milhão de indígenas espalhados em todo território .

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VALMIR ARAÚJO