Comunidade Yanomami vive em clima de medo e insegurança

“Os garimpeiros descem o rio de barco a motor e falam: ‘Depois, vou matar vocês’Até hoje, eles dizem: ‘Vocês querem a nossa bala? Depois, vocês vão tomar a nossa bala'”. O relato é do jovem da comunidade Palimiú, na Terra Indígena Yanomami em Roraima, Josimar Palimi Theli, de 22 anos. Há exato um ano, no dia 10 de maio de 2021, a região era atacada a tiros por garimpeiros ilegais. Agora, mesmo passado todo esse tempo, o medo, a insegurança e a violência ainda assombram os indígenas que vivem por lá.

Palimiú é uma comunidade localizada às margens do rio Uraricoera, região usada pelos invasores para acessar os acampamentos no meio da floresta. A Terra Yanomami é a maior reserva indígena do país em extensão territorial e há décadas é alvo de exploradores ilegais que buscam ouro, cassiterita e outros minérios.

No dia do ataque a Palimiú, ao menos sete barcos com garimpeiros armados abriram fogo contra indígenas. Houve feridos, relatos de mortes, correria de mulheres e crianças em fuga dos tiros, dias seguidos de tensão com sucessivos atentados e até troca de tiros dos invasores com a Polícia Federal.

Até esta terça-feira (10), um ano depois, nenhum dos suspeitos foi identificado pela PF e o Ministério Público Federal (MPF) se manifestou a favor do arquivamento do inquérito.

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Desde então, o que restou aos indígenas foram o medo, o trauma e a preocupação com a iminência de um novo ataque. O jovem Josimar Palimi Theli afirma que, em Palimiú, os ianomâmi vivem uma tensão constante. A região engloba ao menos 11 comunidades em que vivem cerca de 800 indígenas.

FONTE G1

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VALMIR ARAÚJO