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Câncer de pulmão diagnosticado no Papa tem chance de cura acima de 90% em estágio inicial

O estágio e as mutações do tumor são as informações que vão dizer o que acontece daqui para frente, e nenhuma das duas foi divulgada. O estágio indica a extensão da doença e, com ele, a chance de cura.

As mutações, alterações genéticas que o laboratório procura no tumor retirado, mostram se há remédios feitos sob medida para atacá-lo e se o Papa precisará de tratamento complementar depois da cirurgia.

Oncologista do grupo Oncoclínicas e colaborador da instituição científica Americas Health Foundation, Stephen Stefani explica que pesquisa das mutações é obrigatória em todo paciente com adenocarcinoma e costuma ocorrer enquanto ele se recupera da operação.

Ele ressalta que o fato de o tumor ter sido achado em exame de rotina, e não por sintomas, aumenta a taxa de cura.

Uma parte do pulmão

O pulmão direito é dividido em três partes, chamadas lobos, e o esquerdo em duas. A retirada do lobo inferior direito, como no caso do Papa, não é uma cirurgia pequena, observa Stefani, mas deixa o paciente com a maior parte do órgão funcionando. Antes de operar, a equipe confere se o paciente tem reserva de pulmão suficiente para viver sem aquela parte.

A cirurgia do Papa foi videoassistida, uma técnica minimamente invasiva em que o médico trabalha olhando o interior do tórax por uma câmera. O Vaticano não detalhou outros aspectos do procedimento.

Em operações desse tipo, a câmera e os instrumentos entram por pequenos orifícios na parede do tórax. As pinças e os demais instrumentos servem para separar o lobo dos tecidos ao redor e fechar os vasos sanguíneos e os brônquios, as vias por onde o ar chega ao pulmão. As informações são de Ricardo Terra, professor de Cirurgia Torácica da Universidade de São Paulo (USP) e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica. O instrumental é o mesmo da cirurgia aberta.

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