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​O Cabresto Invisível: Como o Velho Coronelismo se Modernizou no Brasil

Pachequim/Valmir Araújo

Quando olhamos para as fotos em preto e branco dos livros de história, o coronelismo parece algo superado. Pensamos logo em grandes fazendeiros e no antigo voto de cabresto controlado pela força.

​Mas a verdade é que essa estrutura nunca deixou de existir. Ela apenas trocou de roupa, aprendeu a usar as redes sociais e se modernizou.

​O coronelismo contemporâneo não precisa mais de violência para se impor. Ele se alimenta da dependência social.

​A figura do antigo coronel abriu espaço para o político que utiliza a máquina pública e o assistencialismo como moeda de troca. É o que assistimos diariamente através do uso político de mutirões de última hora, da facilitação de consultas médicas ou de favores em períodos estratégicos.

​Por que uma prática tão antiga continua viva e atual? A resposta está na falha estrutural do Estado.

​O clientelismo só prospera onde o direito básico é negado no dia a dia. Onde falta saneamento, saúde de qualidade e infraestrutura, cria-se o cenário perfeito para o surgimento do salvador da pátria. É nesse vácuo que o mutirão político entra, funcionando como uma bondade pessoal do governante e não como um serviço permanente.

​Essa engrenagem inverte a lógica da cidadania. O que deveria ser um direito garantido por lei e pago pelo imposto do cidadão é transformado em um favor que gera dívida de gratidão. O voto deixa de ser uma escolha sobre o futuro e passa a ser um pagamento pelo auxílio do presente.

​Romper com essa herança é o maior desafio da nossa democracia. Enquanto a sociedade enxergar a ação pública como uma caridade do político e não como uma obrigação do cargo, o passado continuará ditando as regras do nosso presente.

​O cabresto mudou de forma e ficou invisível, mas o controle continua nas mesmas mãos.

​Você consegue enxergar essas práticas na sua região? Deixe sua opinião nos comentários.

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